Nesse texto, vamos falar sobre a grafia das SIGLAS, que gera muitas dúvidas: as letras devem ficar em CAIXA ALTA? Só a inicial é maiúscula? Algumas letras são maiúsculas e outras minúsculas?

Já falamos sobre o uso das letras maiúsculas em outro texto aqui do blog, porém, as siglas merecem uma atenção especial.

Como saber o que usar?

Para começar, você não precisa decorar todas as siglas, até porque isso seria impossível. Vamos te explicar o raciocínio que você deve seguir, mas você também tem sempre a opção de consultar a agência, a instituição, a empresa para ver a grafia que eles adotam

A sigla é composta pelas letras iniciais de um conjunto de palavras. Toda vez que você trouxer uma sigla no seu texto, é recomendado que você primeiro escreva por extenso e depois coloque a sigla entre parênteses, por exemplo: Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O que observar?

Você vai precisar observar dois aspectos principais ao usar as siglas: a quantidade de letras que compõem a sigla e se ela forma uma palavra “normal” na língua portuguesa. O que chamamos aqui de palavra normal é aquela composta por consoante, vogal, consoante em suas diversas combinações (CV, CVV, CVC).

Se a sigla tiver até 3 letras, todas elas aparecem em CAIXA ALTA, por exemplo, a sigla dos estados (SP, RJ, MG) e siglas como ONU (Organização das Nações Unidas), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), USP (Universidade de São Paulo), SUS (Sistema Único de Saúde)…

Se a sigla tem 4 letras ou mais, você vai observar se ela forma uma palavra ou se as letras são soletradas. Por exemplo:

  • FGTS, BNDES, INSS, ABNT são soletradas, ou seja. não formam uma palavra Portanto, todas as letras ficam em caixa alta!
  • Petrobrás, Covid, Unesco, Unesp, Funai, Sebrae, Aids formam palavras “normais” na língua portuguesa. Assim, só a primeira letra é a maiúscula.
É sempre assim?

Não. Vamos falar das exceções. Há siglas que já estão consagradas de uma determinada forma e essa grafia deve ser respeitada.

É o caso de UnB (Universidade de Brasília), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres) e UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Importante!
  • Nunca use ponto final entre as letras que compõem uma sigla!
  • Para o plural, coloque um “s” minúsculo no final, sem apóstrofo: CPIs.
  • Evite usar siglas nos títulos porque você ainda não vai ter apresentado o desdobramento da sigla para o leitor.
  • A concordância deve ser feita com a primeira palavra da sigla, por exemplo: usa-se “o UNICEF”, pois o artigo concorda com “Fundo das Nações Unidas para a Infância).

DICA BÔNUS: lembre-se da sigla PIS-Pasep como regra geral! Até 3 letras em caixa alta e palavra “normal” somente com a inicial maiúscula. 😉

QUEM ESCREVE?

Fernanda Massi é Mestra e Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara. Ela é também Pós-doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Foi professora de Leitura e Produção de Textos na UNESP/Araraquara e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).  Nesse período, orientou trabalhos de conclusão de curso (TCC) e de iniciação científica. Fernanda trabalha com revisão de texto desde o início da sua graduação em Letras (2004) e é também a responsável pela equipe de revisão da Letraria.

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