O uso do acento grave da crase sempre gera dúvidas. Antes de mais nada, vale lembrar que a crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino definido a(s), ou seja, é como se houvesse uma repetição de “a a(s)” que resulta em
à(s), assim como a fusão da preposição “a” com o artigo masculino definido “o(s)resulta em ao(s).

Se A + O = AO, então A + A = À
Vou ao colégio. | 
Vou à escola.
PARA + A = À
ATÉ + A(S) = À(S)

Então, se conseguirmos enxergar uma preposição (para, a, até) – que vai depender da regência verbal ou nominal – e um artigo feminino definido, devemos utilizar a crase!

Na frase Vamos às últimas consequências, é possível visualizar até as no lugar de às, sendo “até” a preposição e “as” o artigo feminino definido plural.

Em 85% dos estudantes têm acesso à internet, a crase ocorre em função da regência nominal de “acesso” e do artigo “a” diante do substantivo feminino “internet”. Se substituíssemos “a internet” por “o mundo virtual”, diríamos “acesso ao mundo virtual”, o que comprova a necessidade da crase. Na expressão “acesso à internet”, portanto, a crase sempre deve ser inserida!

Além dos casos em que ocorre fusão de preposição com artigo, a crase é obrigatória:
  • antes dos numerais que indicam horas: Abriremos às 18h.
  • quando “moda” ou “maneira” estiverem implícitas: Ela preparou um virado à paulista delicioso!
  • nas locuções femininas à noite, à toa, à tona, à custa de, à risca, à procura.

Quando você encontrar algum caso que não foi explicado aqui, pense se o verbo ou o nome exigem uma preposição e se a palavra que vem a seguir precisa de um artigo feminino definido (singular ou plural).

Quer saber quando não usar a crase? Leia este outro post: Não use a crase!

Se preferir, entre em contato com a gente por e-mail, Facebook, Instagram ou deixe sua dúvida nos comentários!

Até a próxima!

Fernanda Massi é Mestra e Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara e Pós-doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Foi professora de Metodologia do Texto Científico na UNESP/Araraquara e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tendo orientado trabalhos de conclusão de curso e de iniciação científica. Trabalha com revisão de texto desde o início da sua graduação em Letras, em 2004, e já revisou inúmeros trabalhos de diversas áreas. É também a responsável pela equipe de revisão da Letraria.

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