Se você sempre fica em dúvida entre falar (ou escrever) “perca” ou “perda”, este texto vai esclarecer a diferença entre essas duas palavras de uma vez por todas! Antes de mais nada, é bom lembrar que o preconceito linguístico (que critica a forma como as pessoas falam para camuflar um preconceito social), muitas vezes, nos leva a uma hipercorreção e nos faz achar que algumas palavras simplesmente “não existem”. Falaremos sobre preconceito linguístico em outro post…

Assim como várias duplas de palavras da língua portuguesa, chamadas de “parônimas” (gana/gama, devagar/divagar, impotência/imponência, cumprimento/comprimento), “perca” e “perda”, aparentemente, só são diferentes por uma letra: “c” ou “d”. Porém, a classe gramatical também diferencia essas duas palavras: a primeira (“perca”) é verbo e a segunda (“perda”) é substantivo.

“Perca” é a forma conjugada do verbo “perder” no modo imperativo na 3ª pessoa do singular (“que ele/ela perca”) ou no modo subjuntivo, tanto na 1ª pessoa do singular (“que eu perca”), quanto na 3ª pessoa do singular (“que ele/ela perca”).
O subjuntivo é o modo verbal que exprime uma possibilidade, uma hipótese, por exemplo: “É provável que ela perca a abertura do evento se continuar a caminhar nesse ritmo…”, “Minha mãe não vai deixar que eu perca essa oportunidade”.
Já o imperativo é o modo que exprime uma ordem ou um desejo e os exemplos são mais comuns: “Perca peso agora mesmo!”, “Não quero que você perca seu tempo com bobagens!”. O imperativo é bastante utilizado na linguagem publicitária com o objetivo de te fazer agir de determinada maneira: “Coma menos”, “Beba mais”, “Faça exercício”…

“Perda”, por sua vez, é um substantivo que indica o ato ou efeito de perder; é sinônimo de “prejuízo”, “privação”. Sendo um substantivo feminino singular (perda), quase sempre vem acompanhado de um artigo, também feminino, que pode ser definido (a) ou indefinido (uma). Vejamos alguns exemplos que podem ser produzidos a partir das frases em que usamos “perca”: “A perda de oportunidades é algo que minha mãe considera inaceitável!”, “A perda de tempo com bobagens te deixa mais nervoso…”, A perda de peso é um processo lento e gradual”.

Um clássico exemplo de confusão entre essas duas palavras é usado em um momento trágico: “O acidente resultou em perda total!”. Nesse caso, não foi necessário usar o artigo (a, uma) por conta da preposição “em”, mas o que queremos exprimir nessa frase é o “ato ou efeito de perder” (perda) e não indicar uma ordem ou uma possibilidade (perca).

Esperamos que este texto tenha te ajudado a entender a diferença entre essas palavras.
Se ainda ficou com dúvida, não perca tempo: deixe seu comentário abaixo ou em nossas redes sociais! 

Fernanda Massi é Mestra e Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara e Pós-doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Foi professora de Metodologia do Texto Científico na UNESP/Araraquara e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tendo orientado trabalhos de conclusão de curso e de iniciação científica. Trabalha com revisão de texto desde o início da sua graduação em Letras, em 2004, e já revisou inúmeros trabalhos de diversas áreas. É também a responsável pela equipe de revisão da Letraria.

4 Comentários. Deixe novo

  • Rc Cursos Online
    22/05/2020 12:47

    Olá aqui é a Mariana Da Silva, eu gostei muito do seu artigo seu conteúdo vem me ajudando bastante, muito obrigada.

    Responder
  • No caso na frase ” sinto muito pela perca” , fiquei na dúvida entre perda e perca, li o artigo mas ainda continuo na dúvida.

    Responder
    • Letraria E-ditora
      28/04/2021 07:15

      Olá, Mario! Obrigada pela pergunta. 💜
      No seu exemplo, o correto é “sinto muito pela perda“, já que o falante sente muito por um substantivo, no caso “perda”. Se você substituir por outro substantivo, por exemplo, “morte”, fica mais fácil memorizar: “sinto muito pela morte”. Ou então, lembre-se de que “pela” é a junção de “por + a” e o “a” é artigo que antecede um substantivo, no caso, “perda”.
      Veja também este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=EWZkgeQHKjs&t=3s 😉

      Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Como formatar seu trabalho nas normas da ABNT?
5 anos de Letraria