Todo texto traz a voz daquele que enuncia, que fala, mesmo quando sua presença não está textualmente marcada por um “Na minha opinião”, “Para mim”, “Eu acho que”. As escolhas lexicais (verbos, substantivos, adjetivos) e a organização textual já dão indícios da caracterização, da formação e da opinião do enunciador. É por isso que se pode escrever um texto dissertativo em terceira pessoa, como se a tese defendida fosse uma verdade universal.
Há sempre um “eu” por trás de qualquer discurso, mas, além dele, podem ser evocadas diversas vozes, que trarão seus próprios discursos: a de outros autores, a de outras culturas, a do senso comum. Isso ocorre quando o(a) autor(a) dá a palavra a outros enunciadores por concordar ou discordar de seus discursos.
Visto que o “eu” está sempre pressuposto, é necessário identificar a introdução da voz do outro. A melhor forma (ou talvez a mais segura) de marcar essa presença alheia é pelo discurso direto, em que se faz uso de aspas, recuo (citações de mais de 3 linhas em textos científicos), travessão (em textos narrativos), etc.
No entanto, o discurso indireto também pode ser explorado por meio de expressões como “o autor afirma que”, “segundo a pesquisadora”, “conforme a pesquisa”… Nesses casos, pode-se atribuir a voz ativa a quem foi citado (pelo nome ou por uma identificação – autor, pesquisadora) ou ao objeto produzido (o livro, o artigo, a pesquisa). Pode-se, ainda, usar a voz passiva: “Foi discutido neste trabalho”.
Do mesmo modo que o texto narrativo marca seus personagens e suas respectivas falas, o texto dissertativo deve marcar as vozes dos(das) autores(autoras) e seus discursos. Caso você não faça distinção entre o conteúdo produzido por você e o conteúdo produzido por outros autores(as), é muito provável que seu trabalho seja acusado de plágio. Os programas antiplágio sabem diferenciar as citações e suas devidas referências (feitas de acordo com a ABNT) das cópias. Tome cuidado!
Enquanto produtor(a) de textos, o(a) autor(a) deve se preocupar com essa delimitação de quem está falando e em quais momentos. O(a) leitor(a), por sua vez, não tem obrigação de adivinhar de quem é aquela voz. Ele(a) necessita de marcas que o(a) ajudem nessa interpretação.
Fernanda Massi é Mestra e Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara e Pós-doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Foi professora de Metodologia do Texto Científico na UNESP/Araraquara e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tendo orientado trabalhos de conclusão de curso e de iniciação científica. Trabalha com revisão de texto desde o início da sua graduação em Letras, em 2004, e já revisou trabalhos de diversas áreas. É também a responsável pela equipe de revisão da Letraria.
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