O trabalho de revisão textual envolve uma série de competências linguísticas e cognitivas, tais como, ler, reler, pensar, duvidar, pesquisar, questionar, escrever, reescrever, relacionar, compreender. Não basta “dar uma olhadinha” no texto sem compreender o sentido global daquela mensagem que está sendo transmitida. Por isso, o revisor de textos é, antes de tudo, um leitor perspicaz e atento.

Um leitor perspicaz e atento é aquele que lê pensando no contexto de produção: quem escreveu? De onde? Para quem? Qual é a finalidade do texto? Por que esse texto é importante? O que justifica a escolha de determinadas palavras? Qual é o impacto que essa escolha vai causar no leitor? Quem é o leitor? O que ele espera? Obviamente, nem todas essas respostas serão encontradas pelo revisor, mas pensar na existência delas já contribui para realizar seu trabalho.

Outra habilidade imprescindível ao revisor de textos é o domínio da língua. Se for um revisor de textos em língua portuguesa, espera-se que ele conheça muito bem esse idioma; se o revisor for especializado em língua francesa, deve conhecer as particularidades dessa língua e assim sucessivamente. Dominar a língua nem sempre é sinônimo de ler e escrever bem porque há vários contextos de produção: um excelente poeta não será, necessariamente, um bom revisor de textos jurídicos, assim como a recíproca não é verdadeira. Ter domínio sobre umidioma implica conhecer suas regras gramaticais (ortografia, acentuação, concordância, regência, colocação pronominal, pontuação), a estrutura sintática (sujeito, verbo e predicado, por exemplo), sua semântica (o sentido das palavras) e, principalmente, sua pragmática, ou seja, os usos de determinadas estruturas e palavras em cada situação de comunicação.

Além de precisar dominar a língua em que se encontra o texto a ser trabalhado, o revisor precisa ter humildade para consultar gramáticas, dicionários, vocabulários, sites especializados, seus pares e, principalmente, o(a) autor(a). Ninguém melhor do que o produtor de um texto para responder aquela velha questão: “o que você quis dizer?”. Se “quis dizer” é porque não disse e não há pistas no texto que permitam decodificar essa intenção. Para ter certeza disso, vale voltar à máxima de que é necessário ler o texto completo para compreender seu sentido e verificar se essas lacunas realmente existem ou se podem ser preenchidas por elementos desorganizados ao longo do texto.

Enfim, o trabalho de revisão textual não é simples e, assim como qualquer outro, deve ser feito com muita responsabilidade, profissionalismo e competência.

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Fernanda Massi é Mestra e Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/Araraquara e Pós-doutora em Linguística Aplicada pela UNICAMP. Foi professora de Metodologia do Texto Científico na UNESP/Araraquara e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), tendo orientado trabalhos de conclusão de curso e de iniciação científica. Trabalha com revisão de texto desde o início da sua graduação em Letras, em 2004, e já revisou inúmeros trabalhos de diversas áreas. É também a responsável pela equipe de revisão da Letraria.

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